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sábado, 15 de setembro de 2012

Little Love, XIII


  Não conseguia sorrir naquele momento. Sentia-se uma qualquer que acabara de “deitar fora” apenas mais um. Sentia-se fria.
  Quando finalmente chegou a casa fechou-se no seu quarto. Não queria que os pais a vissem naquele estado quando chegassem a casa.
  As lágrimas pareciam não ter fim. Pensou em ligar a Joana mas quando se preparava para marcar o seu número lembrou-se que a sua amiga iria decerto criticá-la em vez de ajudá-la e apesar de a adorar não estava com cabeça para os seus sermões sobre o amor, por isso limitou-se a puxar até à janela a cadeira que tinha em frente à sua secretária sentando-se nela simplesmente a olhar o céu enquanto sentia as suas lágrimas escorrerem ao longo do seu rosto.

...

  Há duas horas que não tinha notícias dela. Estava preocupado e com medo.
  Já havia caminhado o quarteirão todo. Dirigiu-se para o parque. Avistou Guilherme sentado num banco com o rosto envolto nas suas mãos. Certamente já teria falado com ela…
  - Olá Guilherme.
  Guilherme ergueu a cabeça pesadamente permitindo que se visse os seus olhos inchados de tanto chorar. Demorou-se a olha-lo percebendo que não o conhecia.
  - Quem és tu? Como sabes o meu nome?
  Ele lembrou-se que Guilherme nunca o vira, ele é que o vira com ela. O que estava prestes a fazer podia ser uma loucura, mas Guilherme merecia conhecer o rapaz que fizera com que ele a perdesse.
  - Eu sou o motivo para estares assim.
  Guilherme recompôs-se. Só lhe apetecia desfazer-lhe a cara, mas recordou-se que ele não tinha culpa de nada. Era impossível alguém não a amar. E se ela o escolhera, ele só teria que respeitar a sua decisão.
  - Já sei quem és, és o rapaz mais sortudo que pode existir. Não te preocupes, não lhe fiz nada, limitei-me a ouvi-la e a apoia-la. Acima de tudo só quero a sua felicidade, e se tu és a razão pela qual ela todos os dias da sua vida irá acordar com o seu lindo sorriso de orelha a orelha, então eu apoio-vos. Vai falar com ela. De certeza que ela não está bem e precisa de consolo, e visto que não é do meu, resta-me que vás já ter com ela e a comeces a fazer feliz.
  Ele ficou admirado com as palavras de Guilherme.
  - Realmente não merecias nada disto. Desculpa. – Despediu-se dele com uma palmada amigável no ombro.
  Foi a correr em direção à casa dela. Como será que estaria? Será que tinha feito algo? Só conseguia pensar em correr cada vez mais rápido com medo de chegar tarde demais.
...

  Estava prestes a levantar-se da cadeira para se deitar na cama quando o avista ao virar da esquina a correr em direção a sua casa. Desceu as escadas a correr, abriu a porta da frente e sem lhe dar sequer tempo de reagir ela abraçou-o fortemente. Sentindo necessidade de a consolar retribuiu o abraço depositando-lhe um suave beijo na testa.
  - Meu amor, desculpa. Nunca pensei que por me amares fosses derramar tantas lágrimas.
  Ela olhou-o bem nos olhos.
  - Cada lágrima que me vês chorar por te amar transformar-se-á no dobro dos sorrisos que terei por tu me amares.
  E sem pensar em mais nada finalmente beijou-o sem sentir qualquer culpa por ambos se amarem.

"(...) abraçou-o fortemente. (...) sem sentir qualquer culpa por ambos se amarem."