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sábado, 1 de setembro de 2012

Little Love, XII


  - Tem calma! Que se passa meu amor, porque choras? – Guilherme encontrava-se agora no parque frente a frente com ela.
  Estava bastante nervosa. Não tinha preparado nada para lhe dizer, não sabia como iria explicar o que se passara entre ela e ele.
  - Tenho de te contar uma coisa.
  - Diz linda, sabes que podes contar-me tudo. – Aproximou-se para a abraçar.
  Ela recuou mais rápido do que o que queria. Guilherme, franzindo a testa, pegou-a pela mão e sentou-a a seu lado no banco nunca largando-a.
  Sentindo o coração bater cada vez mais rápido sentia-se quase incapaz de respirar.
  Olhou-o nos olhos. Como tinha sido capaz de chegar a este ponto? Como tinha sido capaz de beijar ele estando com Guilherme?
  - Desculpa. Desculpa-me a sério. Eu gosto imenso de ti, não quero que duvides disso.
  - O que estás para ai a dizer? Estás a deixar-me seriamente preocupado.
  Limpando as lágrimas inspirou profundamente o perfume de Guilherme e finalmente ganhou coragem para lhe contar o que se passara, e o que ia acontecer.
  - Guilherme, eu amo outro rapaz. Lembras-te de eu te falar vezes sem conta dele? Pois bem, é ele quem eu amo. Foi sempre ele quem me fez mais feliz apesar de ser também o responsável por todo o meu sofrimento. Foi sempre ele o rapaz que me deixa louca de cada vez que prenuncia o meu nome. Já reparaste como o simples facto de ele dizer o meu nome me deixa maluca? Só de pensar nele, na sua voz, nos seus olhos, no seu cabelo, nos seus lábios, no seu sorriso… Ele é tudo para mim.
  Guilherme não acreditava no que estava a ouvir. Como podia a rapariga que ele mais amara fazer-lhe algo assim. A rapariga a que entregara todo o seu amor e a sua confiança. A rapariga que ele sempre protegera.
  - Eu estive com ele hoje. Fui falar com ele, tive que ir falar com ele. Beijamo-nos. Percebi que não posso continuar a enganar-me a mim mesma nem a ti. A verdade é que eu quero-o mais que tudo no mundo. Não peço nem que compreendas nem que me perdoes pois ninguém merece isto, muito menos tu que sempre fizeste de tudo para eu ser feliz. Agora podes chamar-me o que quiseres, eu mereço, mas lembra-te que nunca quis que isto fosse assim.
  Calou-se. Deu-lhe tempo para ele puder absorver toda aquela informação. Guilherme não merecia nada daquilo, mas não podia ser enganado.
  Engolindo em seco preparou-se para lhe responder.
  - Não te vou chamar nenhum dos quinhentos nomes horríveis porque tu não és nada disso. A ti só tenho que te agradecer. Ensinaste-me a amar e agora ensinaste-me também a sofrer. – Começava a sentir os olhos húmidos. – Como eu já te disse várias vezes, quero a tua felicidade, e se és feliz ao lado dele, então força, quem sou eu para te impedir? Não quero que estejas comigo não me amando. E eu não seria capaz de impedir o vosso amor. Peço-te que vás agora embora por favor. Quando me sentir pronto falarei melhor contigo. Amo-te muito, nada disso mudou.
  Respeitando o que ele lhe pedira preparava-se para partir. Chegando-se perto dele para lhe beijar o rosto, hesitou e recuou, relembrando-se que talvez não fosse a melhor ideia. Apertando-lhe a mão em sinal de despedida, partiu, deixando para trás um homem em lágrimas que aprendeu que amar é também sofrer.

"(...) deixando para trás um homem em lágrimas que aprendeu que amar é também sofrer."