Era uma vez um rapaz e uma rapariga, ambos mais ou menos da mesma idade. Estes já se conheciam há anos pois os seus pais eram grandes amigos. Na altura eram ambos indiferentes um para o outro, eram crianças, não pensavam em nada mais a não ser brincar com pessoas do mesmo sexo que eles. Já não se falavam há algum tempo quando entraram no 1º ciclo. Ficaram ambos admirados quando ele entrou na sala e se deparou com ela sentada numa cadeira. E é aí que começa a verdadeira história destes dois amigos.
- Olá – disse ele – Tu não és aquela rapariga que mora perto da minha antiga casa?
- Olá. Sim sou, pensei que não me fosses reconhecer, já não falamos há taaaantoooo tempo!
- Sim é verdade. Quando os meus papás decidiram mudar de casa nunca mais combinaram nada com os teus…
- Pois, não é que nós fossemos assim grandes amigos mas… Porque não te sentas ao meu lado e assim podemos conversar enquanto a professora ainda não chega?
- Claro, porque não?
O rapaz puxou rapidamente a cadeira e sentou-se ao lado da sua amiga. Quando a professora chegou, a conversa terminou, ficando assim um grande e ensurdecedor silêncio entre estes. Todos os dias durante o intervalo ele ia jogar à bola e ela ficava a jogar à macaca entre outros jogos de menina. Quando estava quase a tocar para a entrada, ambos iam ter um com o outro e comiam juntos o lanche que as suas mães lhes preparavam para levar.
Passaram os 4 anos do 1º ciclo. A turma toda sentia-se triste pois a amizade que se tinha criado era forte e custava que se fossem separar. A rapariga e o rapaz, entre lágrimas e soluços despediram-se com um forte abraço. No dia em que se conheceram, olharam um para o outro com um olhar desconfiado e neutro, um olhar de indiferença. Não queriam ser nada mais do que conhecidos, e agora enquanto se encontravam perdidos num abraço que parecia não ter fim, mostraram o seu arrependimento por terem pensado tal coisa como não serem amigos. Agora achavam patético terem pensado tal coisa, terem-se ignorado um ao outro quando o que estava destinado era que fossem super íntimos. Finalmente largaram-se para poderem despedir-se dos restantes colegas, mas antes que alguém se mete-se entre eles, deitaram um último olhar um ao outro e ambos prometeram a si mesmos que apesar da distância iriam gostar um do outro da mesma maneira e que não iriam esquecer nada do que disseram, nada do que partilharam.
"(...) entre lágrimas e soluços despediram-se com um forte abraço."
