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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Complicado? Não, é mais que isso.

  Há semanas que penso nisto, e até agora nenhuma coragem encontrei para te contar, por isso escrevo este género de carta para uma personagem inventada apenas para me sentir com menos receio quando me dirigir a ti sabendo que não irás perceber que é de ti que falo.


Querido Gabriel,

  Sabes o que mais me custa? É saber que fui parva em não te aceitar. Agora tens outra paixão, outra rapariga que é dona do teu desejo puro e apaixonado. Já sei como te sentias rejeitado, já sei porque não eras capaz de encontrar coragem suficiente para me contares o que sentias. É complicado quando se deseja o toque de alguém que não nos deseja a nós. Quando se deseja as suas carícias, a sua voz a sussurrar-nos ao ouvido a doce palavra “quero-te”, quando se deseja o seu beijo. Desejar tudo sem se sentir nada mais a não ser o desejo. Nada de amor e de sentimentos que nos fazem chorar dia e noite. Apenas desejo.
  Se é estúpido? Não.
  Se estou a confundir com amor? Não, apenas sinto uma necessidade de te sentir que me mata por dentro.
  As saudades começam a crescer incontrolavelmente dentro de mim. Sinto mais vontade de te entregar todo o meu afecto do que receber. Quero que te sintas desejado tanto quanto eu me senti, e quando for a altura certa, irás entender tudo sem eu nada ter de te dizer.


"(...) a sua voz a sussurrar-nos ao ouvido a doce palavra "quero-te" (...)"


Com amor,
Marta.